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Melhor Visibilidade da Ciência Latino-Americana

Melhor Visibilidade da Ciência Latino-Americana

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Cientistas e periódicos latino-americanos estão fortalecendo seus sistemas de pesquisa, avaliação, publicação e comunicação para redefinir ideias de sucesso profissional ditadas pelo Norte Global. Há, de fato, uma tendência neoconservadora. Ela está entranhada nas elites brasileiras e também nas da América do Sul vinda da colonização espanhola e portuguesa. Ainda hoje a serviço das cortes e elites daqueles países.

por Humberto Basílio

Para entender estas relações de domínio, controle e poder é importante uma leitura histórica abrangente. Ela é extensível até os estados contemporâneos, suas economias e a participação de cada um no contexto europeu atual.

Manter os status de colônia, mas tornar a vida das pessoas, dos nativos e dos “mestiços” um pouco mais suportável, tudo o que a abolição dos escravos não permitiu, ainda é o plano principal. O foco está em educação básica, alimentação, habitação popular. Com isso a possibilidade de produzir, em escala local, alguns produtos básicos que lhes garanta a subsistência.

Entretanto, as injunções comuns do sistema capitalista e suas adaptações regionais, impostas sobre países da periferia mundial, hoje chamados de sul global, ditam as regras. É neste conjunto de diretrizes contratuais, a saber – relação metrópole e colônia (modernamente sob signos comerciais negociáveis na proporção matéria prima básica, bruta e\ou com algum valor agregado) que estão embutidas proibições e restrições que mantém cada uma em seu lugar. Uma destas diz respeito à Ciência avançada e pesquisas, o que implica necessariamente em domínio de tecnologias.

Apesar disso, o Brasil avança aos poucos, onde consegue penetrar a partir de sua inteligência, e com muito esforço até onde é possível, dar uns passos na direção do crescimento científico de ponta. Apesar disso, partes das elites nacionais participam de modo intensivo do controle exigido pelos países de maior poder e com reservas de mercado firmemente bem estabelecidas. O reflexo imediato se dá na economia, no grau de desenvolvimento social do país e na incapacidade de atender todas as suas demandas e necessidades.

Reforçando a condição de dependência

A pergunta: faltam recursos financeiros para investimentos em desenvolvimento e pesquisas científicas? Tem uma resposta: a reação desencadeada de segmentos políticos representativos da população, manifestamente contrária a criação de universidades federais, e favoráveis aos cortes na educação em todos os níveis.

Aliás, para piorar os orçamentos secretos, as emendas pix e outros truques da corrupção com dinheiro público enfraquecem e desviam os interesses mas importantes da sociedade. Adulterando as funções políticas dos poderes do estado, o que mantém o atraso do país, continuamos no concerto da colônia feliz, com futebol (despencando), carnaval, máfia, drogas, praia e cerveja, e a farra da classe média consumidora engordando os ricos.

Felizmente, cientistas, pesquisadores e periódicos latino-americanos estão fortalecendo seus sistemas de pesquisa, avaliação, publicação e comunicação para redefinir ideias de sucesso profissional ditadas pelo Norte Global. A possibilidade de tornar-se um mercado continental com certa expressão – acordos bilaterias internos e externos como o recém proclamado com a União Europeia e o já ‘regulado’ Mercosul, facilita este crescimento.

O ranking dos principais cientistas brasileiros no contexto global.

De acordo com uma pesquisa internacional apenas 17 brasileiros (e/ou cientistas que estão no Brasil) surgem na lista. Entretanto, entre todos os continentes avaliados e países pesquisados (EUA,Canadá, México, Am.Central e do Sul – Europa, Ásia, Oceania e África) o Brasil representa 0,5%

Clarivate e dlACM trazem a biblioteca das pesquisas mais importantes de 2025 e
que projetaram os cientistas envolvidos nas universidades e centros avançados de pesquisa científica do mundo.

“Vocês têm que sair, sair daqui para fazer ciência”, foi o conselho mais comum que Pérez-Ángel, cientista colombiana (Ph.D. no departamento de ciências geológicas da Universidade do Colorado e pesquisadora associada de pós-doutorado na Brown Universidade). É o que lembra ter ouvido de seus professores.

Esse conselho foi baseado em duas linhas de pensamento. Primeira, os países do Norte Global têm mais financiamento e melhor infraestrutura para fazer ciência. Em seguida, a crença generalizada de que aprender sobre o mundo fora da Colômbia daria aos alunos novas perspectivas para suas pesquisas.

Não é muito diferente do Brasil, por mais que USP apareça, por exemplo, entre as melhores universidades do mundo, ocupando apenas a 100ª posição. O fim da fila.

O artigo completo pode ser lido aqui.

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Humberto Basilio é um jornalista científico e ambiental que cobre temas como política, saúde, má conduta, arqueologia e meio ambiente.