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O PIX é do Sistema Brasileiro

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São óbvias as crescentes tentativas de interferência americana na política, no sistema financeiro e nas relações de poder econômico do Brasil. Mas, é deplorável a formação de cartéis e famílias de criminosos brasileiros que apoiam e facilitam e lutam por esta invasão. O pagamento em tempo real é um toda atenção é necessária.

Um detalhe que poucos sabem, porque não é tão visível para o público em geral, é que por trás das bandeiras Visa e Mastercard, no Brasil, existem dúzias de instituições financeiras/bancos brasileiros operando como os os verdadeiros emissores de cartões com aquelas 2 bandeiras.

Trocando em miúdos, são os bancos emissores que ditam as taxas de juros abusivas, não a Visa ou a Mastercard, e são os bancos que recebem o pagamento desses juros.

Quanto às tarifas impostas aos lojistas, são também os bancos que ficam com a maior fatia. Vou lhes dar um Exemplo. Digamos que um lojista receba um pagamento de R$100 (reais), e que desse montante o lojista pague R$2 reais de tarifa. Ele fica com R$ 98. Pois bem, destes R$ 2 pagos de tarifa, a distribuição do restante fica mais ou menos assim: O PIX é do Sistema Brasileiro

O inimigo dorme na mesma cama

Então o ‘grande lance‘ é quem na verdade deve ser contra o PIX é o sistema financeiro como um todo. Ou seja, todos que fazem parte do ecossistema de pagamentos por cartões lucram muito (principalmente os bancos). Todos eles vêm a ameaça de um sistema nacionalizado e gratuito como o Pix.

Assim, por mais que se fale em Visa e Mastercard, temos que ficar de olho nos outros agentes brasileiros que vão além da família Bolsonaro e seus interesses político-econômicos. Ou seja, o sistema financeiro/bancos.

Mais uma vez, trocando em miúdos, por mais que se fale em Visa/Mastercard nos EUA, é possivelmente a elite do sistema financeiro brasileira ‘odeia o Pix’.

Ambas são redes multilaterais de pagamento que exercem domínio oligopolista global, conectando emissores (bancos) e adquirentes (maquininhas) em frações de segundo.

Notem que a princípio Visa e Mastercard não são empresas financeiras, não financiam nada. Quem dá crédito são os bancos. Visa e Mastercard são empresas de tecnologia e marketing, que disponibilizam redes mundiais e interconectam bancos emissores (dos cartões aos consumidores) e bancos adquirentes (que ajudam lojistas a receberem transações por cartões). Participei desse projeto.

Portanto, o Brasil poderia, em tese, fazer como a China. Lá existe a China UnionPay (empresa de cartões), trabalhando exclusivamente com bancos chineses. A indicação de pagamentos é altamente regulamentada. Todas as transações domésticas feitas por cartões (p. ex.: entre um consumidor chinês e um lojista chinês) não podem deixar as fronteiras do país. São todas processadas pela China UnionPay e outras empresas menores do sistema financeiro chinês. O PIX é do Sistema Brasileiro

Olha o modelo funcionando – BRICS online

Em outras palavras, as bandeiras de cartão da China UnionPay estão em todos os cartões emitidos para os chineses. Entretanto, esses cartões emitidos pelos bancos chineses (para os chineses) podem também ter bandeira da Visa ou Mastercard. Assim, um chinês pode viajar ao exterior e fazer suas transações internacionais dessa forma.

Da mesma maneira, os lojistas chineses também aceitam cartões Visa e Mastercard dos estrangeiros que para lá viajam. Ou seja, Visa e Mastercard estão lá apenas para transações internacionais, não domésticas.

O Brasil poderia ter algo assim, pois sim? A Índia também investe nesse sentido e tem um sistema próprio já há tempo. Ainda que eu não saiba dizer como está agora, sei que a Rússia fez isso há pouco mais de dez anos quando começaram as sanções.

Usando essa abordagem à la China UnionPay, o Brasil poderia se proteger mais ainda de movimentos predatórios do sistema financeiro internacional, e ao mesmo tempo ter o sistema financeiro nacional menos relutante. Pelo menos no início. O PIX é do Sistema Brasileiro

Usando uma pedacinho do cérebro

Agora, imaginemos a ELO crescendo. Uma empresa 100% brasileira, sendo protegida por regulamentação do BC (veja a política de cartões de crédito) junto a outras brasileiras, liderando o mercado doméstico sem a presença da Visa/Mastercard. Tecnicamente é simples.

E mais. Outras empresas nacionais tipo Cielo e Redecard (que hoje só atuam no lado adquirente) também entrariam na área de emissão de cartões para aumentar a concorrência (com a ELO). Ninguém precisaria mais de Visa e Mastercard para transações domésticas, ou seja, entre um consumidor brasileiro e um lojista brasileiro, ambos no Brasil.

Eu vi – Com quase 19 anos na Visa, presenciei e participei de projetos neste sentido, e vi de perto como tudo funciona lá. Os bancos são aparentemente “clientes” da Visa/Mastercard, mas na prática é quase como que se os bancos mandassem e fossem donos destas duas empresas (lembre-se elas são empresas de tecnologia e marketing). O PIX é do Sistema Brasileiro

Historicamente, na verdade ambas empresas foram associações até 2006-2008, e de fato bancos (em torno de 15 mil no mundo todo) até então eram membros dessas associações. Na verdade, os donos.

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Tempo, poder e método

Em 2006-2008 essas empresas abriram capital no mercado, e em tese se tornaram “independentes” dos bancos. Porém, se os bancos espirrarem, elas tremem. Transformaram-se em cliente, e se os bancos deixarem de existir, elas também cessam suas vidas. O PIX é do Sistema Brasileiro

Outro detalhe: elas agem quase como um duopólio (apesar de se declararem concorrentes entre si), onde é praticamente impossível uma outra empresa tentar concorrer no mercado delas. A não ser que haja regulamentação específica em um país limitando os poderes dessas duas.

Aliás, no Brasil elas também monopolizavam na área de aquisição de transações, junto aos lojistas. Eram donas de outras empresas separadas detentoras do sistema no setor varejista. Existia a Visanet do Brasil (da Visa) e uma outra da Mastercard. Uma regulamentação no Brasil forçou a venda dessas empresas de aquisição de transações.

Dizem, e é preciso investigar, que os maiores donos da Cielo e Redecard são alguns bancos brasileiros (eles não soltam o osso). Ainda assim, isso foi ‘bom’! Já se pode perceber mais de meia dúzia de empresas concorrendo nesse segmento, o que diversificou o ‘mercado’ e a concorrência, mais um pouco.

No final, conta que ainda o sistema financeiro como um todo tem os seus tentáculos em torno do sistema de pagamentos, diversificado ou não. O PIX realmente é uma ameaça porque traz ao Banco Central o papel de centralizar a visibilidade no movimento de dinheiro dentro do sistema. Isso de uma forma extremamente simples e barata.

Um lembrete: inovação em tecnologia não significa uso de tecnologia mais complexa. É apenas aquela que mesmo de modo simples consegue descomplicar e baratear toda operação de sistemas. Quem aposta nisso, ganha o jogo.

Fred Lima – Cybersecurity Consultant

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