Demanda Aspiracional ou Déficit Estrutural de Demanda
São conhecidas as considerações acerca da realimentação das demandas decorrentes da própria satisfação de algumas necessidades e/ou desejos advindos de algum incremento da renda e/ou do advento-melhoria de alguns serviços públicos.
Lucio Maluf
São Paulo,17/06/2026
3.3 Minutos
De outro lado tomam corpo as teses relacionadas às insatisfações vinculadas à chamada demanda aspiracional. Entretanto, cabe observar com maior atenção as questões da renda e das demandas à luz dos déficits estruturais. Ou seja, os que mantém constantes demandas essenciais não satisfeitas e/ou apenas parcialmente satisfeitas, mesmo com aumentos da renda e da oferta de trabalho.
Ocorre que em nossa realidade caracterizada por uma maioria populacional receptora de rendas baixíssimas – exemplo é o valor do Salário Mínimo – embora venha recebendo correções e aumentos reais, eles, de fato, não alteram a situação de demanda reprimida permanente. Demanda Aspiracional ou Déficit Estrutural de Demanda
Nessa situação perenizada pelas políticas públicas favorecedoras do incremento constante e crescente dos ganhos financeiros, torna-se evidente que os ganhos decorrentes do trabalho, na prática pagam todas as contas e não recebem correções adequadas. Portanto, os incrementos que possam alterar a relação insatisfatória dos assalariados com os valores dos bens e serviços demandados
A sensação de perdas nessa relação se realimenta pelo agravante das correções, pois mesmo quando ocorrem acima dos índices inflacionários não refletem valores capazes e suficientes para atender às necessidades mínimas.
O óbvio ululante
Evidenciam essa situação as correções do S.M., recentemente apenas de 2% acima da inflação. Num cálculo rápido: essa correção real significou R$ 30,36 ao mês o que resulta num quase insignificante valor de 1 Real ao dia. Portanto, absolutamente incapaz de causar uma alteração positiva no quadro estrutural das demandas não atendidas, ao tempo que estimula a sensação (real) de perdas constantes.
Importa lembrar que a maior parte da população incluindo trabalhadores ativos – 70 % – e aposentados – 90% – recebem até 2 SM. Isso dramatiza ainda mais esse quadro de necessidades insatisfeitas.
Por fim, cabe lembrar que os consumidores no cotidiano não compram ou pagam índices obscuros e para eles indecodificáveis. Os consumidores comuns pagam preços reais com rendimentos reais no tempo presente ou se endividam. Demanda Aspiracional ou Déficit Estrutural de Demanda
Assim, nesse capítulo cabe ainda ressaltar o modo como o agravante perverso do endividamento atingiu cerca de 80 milhões de pessoas. Na média os estudos informam que esse endividamento compromete cerca de 29% das rendas. Só isso torna o ganho líquido disponível ainda menor e mais incompatível com as necessidades da demanda estruturalmente represada e com eventuais aspirações eventualmente alimentadas.
A conclusão dramática, é que a parcela captada pelo trabalho no valor final dos bens e serviços produzidos por esse mesmo trabalho não atinge percentuais compatíveis com a contribuição efetiva que oferta para formação da riqueza. Demanda Aspiracional ou Déficit Estrutural de Demanda
É nessa situação que se estruturam os déficits na satisfação das demandas necessárias e se perenizam as insatisfações reais e/ou, trocando em miúdos, demandas aspiracionais da população.
Lucio Maluf – Sociólogo – Especialista em Gestão Econômica/Empresarial
Secretário de Organização – Membro do Diretório Nacional do PDT
[N.E.: Dieese mostra quanto deve ser o salário mínimo atual para cobrir todas as despesas de uma família de 4 pessoas, além de pagar suas dívidas com certa margem de tranquilidade.]



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