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EBOLA – O que importa saber.

EBOLA - O que importa saber.

EBOLA – O que importa saber.

Ebola. Importa saber a origem, como se espalha, sintomas, tratamento e os desafios para a saúde mundial.

O Ebola é uma infecção viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus, que pertence à família Filoviridae. Desde sua identificação em 1976, o Ebola provocou surtos fatais que resultaram em milhares de mortes, principalmente em países da África Central e Ocidental.

Embora ocorra com menos frequência do que outras doenças infecciosas, sua capacidade de causar morte e os impactos sociais e econômicos dos surtos a tornam uma das doenças mais temidas no mundo. A doença recebeu o nome do rio Ebola, na atual República Democrática do Congo, onde foi identificado um dos primeiros surtos conhecidos.

Outro surto foi registrado no mesmo ano, no que hoje é o Sudão do Sul. Desde então, diversas cepas do vírus foram descobertas, como Sudan ebolavirus, Zaire ebolavirus, Taï Forest ebolavirus, Bundibugyo ebolavirus e Reston ebolavirus.

Dentre elas, as variedades Sudan, Zaire e Bundibugyo são as que mais frequentemente causam casos graves em humanos. Os cientistas acreditam que morcegos frugívoros são os principais reservatórios naturais do vírus. Os humanos podem contrair a doença ao entrar em contato com animais infectados, como morcegos, chimpanzés, gorilas e certos antílopes.

O Ebola não se espalha pelo ar

Depois que o vírus entra em uma população humana, a transmissão se torna principalmente de pessoa para pessoa. O Ebola não se espalha pelo ar como a gripe ou a COVID-19. A infecção ocorre através do contato direto com sangue, saliva, suor, vômito, urina, fezes, sêmen ou outros fluidos corporais de uma pessoa infectada.

A transmissão também pode ocorrer por meio de objetos infectados, como seringas, roupas e utensílios médicos. Esse modo de transmissão coloca familiares, cuidadores e profissionais de saúde entre os grupos de maior risco durante surtos. O tempo de incubação da doença varia de dois a vinte e um dias. Durante esse período, a pessoa está infectada, mas não apresenta sintomas e, geralmente, não transmite o vírus.

Os primeiros sintomas costumam ser vagos: dores musculares, febre alta, cansaço extremo, dor de cabeça e dor de garganta. Esses sinais podem ser confundidos com várias outras doenças tropicais, como malária, febre tifoide e dengue. Conforme a infecção avança, podem surgir sintomas mais graves.

O paciente pode apresentar vômitos, diarreia severa, dor abdominal, erupções cutâneas e deterioração das funções hepáticas e renais. Embora nem todos os pacientes tenham sangramentos visíveis, em certos casos, ocorrem hemorragias internas e externas. O vírus causa uma resposta inflamatória intensa, danifica vasos sanguíneos e pode levar à falência de múltiplos órgãos.

A taxa de mortalidade do Ebola varia de acordo com a espécie do vírus, a situação do sistema de saúde e a rapidez com que as pessoas recebem tratamento. Em alguns surtos, mais de 50% dos infectados morreram. No entanto, melhorias no diagnóstico precoce e no tratamento de suporte têm ajudado a reduzir a mortalidade em várias regiões. O diagnóstico é feito por meio de testes laboratoriais específicos que conseguem identificar o material genético do vírus ou suas proteínas.

Por muitos anos, o tratamento do Ebola consistiu apenas em cuidados de suporte, incluindo hidratação, reposição de eletrólitos, controle da pressão arterial e tratamento de infecções secundárias. Nos últimos anos, porém, houve progressos significativos. Alguns anticorpos monoclonais desenvolvidos contra certas espécies do vírus mostraram eficácia em reduzir a mortalidade em casos tratados precocemente.

Além disso, pesquisadores de vários países continuam investigando novas opções de tratamento antiviral.

O desenvolvimento de vacinas. A vacina Ervebo demonstrou alta eficácia contra o ebolavírus da espécie Zaire e começou a ser usada em campanhas de vacinação durante surtos. Essa abordagem foi eficaz no controle de várias epidemias na África. No entanto, ainda existem desafios na criação de vacinas que sejam igualmente eficazes contra outras cepas do vírus, como Sudan e Bundibugyo.

O surto de Ebola mais intenso da história ocorreu entre 2014 e 2016, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa, na África Ocidental. Foram mais de 28 mil casos, resultando em mais de 11 mil mortes. Além do impacto humano, a epidemia teve grandes repercussões econômicas, interrompeu serviços de saúde e afetou a educação e o comércio em vários países.

Atualmente, na República Democrática do Congo e em Uganda, um surto que envolve a variante Bundibugyo ebolavirus está em andamento. Em maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o evento como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

Na África, da África para Mundo, se não tomarem as medidas corretas.

Na República Democrática do Congo, foram registrados cerca de 300 casos confirmados e estão sendo investigados mais de 1000 casos suspeitos, com mais de 220 mortes suspeitas associadas. Uganda registrou 9 casos e pelo menos 1 óbito, principalmente devido a transmissões importadas da República Democrática do Congo. A maior parte dos casos ocorre nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, no Congo.

EBOLA - O que importa saber.

Ministério da Saúde implementou protocolos de vigilância para detectar rapidamente viajantes de áreas afetadas que apresentem sintomas compatíveis.

Apesar da gravidade da doença, o risco de uma pandemia global semelhante à COVID-19 é considerado relativamente baixo. Como o Ebola requer contato direto com fluidos corporais para ser transmitido, sua disseminação internacional tende a ser mais limitada. No entanto, o aumento das viagens internacionais e a possibilidade de casos importados exigem vigilância contínua das autoridades de saúde. EBOLA – O que importa saber.

O Ebola continua sendo uma importante ameaça à saúde pública em algumas regiões da África. No entanto, os avanços científicos obtidos nas últimas décadas mostram que o diagnóstico precoce, a vigilância epidemiológica, as vacinas e os tratamentos modernos podem reduzir significativamente o impacto da doença.

Esforço coletivo

Combater o Ebola depende da cooperação internacional, do fortalecimento dos sistemas de saúde e da continuidade dos investimentos em pesquisa científica. Estes são fatores fundamentais, sem os quais não se previnem futuros surtos, além de não proteger populações vulneráveis ao redor do mundo.

Atualmente, tanto a Organização Mundial da Saúde quanto as autoridades brasileiras afirmam que o risco de Ebola causar um surto no Brasil é baixo. A OMS classificou o risco como muito alto na República Democrática do Congo, alto na região africana afetada, mas baixo em nível global.

As razões pelas quais temos protocolos de segurança

o Ebola não é transmitido pelo ar como a gripe, o sarampo ou a COVID-19. Porém, o contato direto com sangue, vômito, fezes, secreções e outros fluidos corporais de pessoas doentes é a principal forma de transmissão. Atualmente, o vírus não está circulando nas Américas, pois não há voos diretos regulares entre as áreas mais afetadas do surto e o Brasil. EBOLA – O que importa saber.

Mesmo assim, é possível que ocorram casos importados de viagens internacionais. Por isso, o Ministério da Saúde implementou protocolos de vigilância para detectar rapidamente viajantes de áreas afetadas que apresentem sintomas compatíveis. Entre eles, as diretivas são: manter o paciente isolado, profissionais de saúde utilizarem equipamentos de proteção, monitoramento de contatos próximos, monitoramento de até 21 dias.

Os riscos são semelhantes aos da COVID-19? Não.

O Ebola é muito mais mortal, mas geralmente é menos transmissível em grandes surtos porque necessita de contato físico próximo com fluidos corporais infectados. A COVID-19 se transmitia facilmente pelo ar, mesmo por indivíduos com sintomas leves ou assintomáticos. Se o surto na África continuar a se expandir, a vigilância internacional deve ser intensificada. No entanto, neste momento não há sinais de que o Brasil esteja enfrentando uma ameaça iminente de epidemia de Ebola. EBOLA – O que importa saber.

Luiz Carlos Dias – Prof. Titular do IQ/Unicamp – Graduado Química (UFSC), Dr. Ciências Químicas (UNICAMP) e Pós-Doc (Harvard University-EUA). Pesquisador 1A do CNPq em Síntese orgânica e química medicinal.

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Graduado Química (UFSC), Dr. Ciências Químicas (UNICAMP) e Pós-Doc (Harvard University-EUA). Prof. Titular do IQ/Unicamp - Pesquisador 1A do CNPq. em Síntese orgânica e química medicinal.

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