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A escola, o território e o caminho do dinheiro – IE.Br

onde estão as escolas de SP?

Como ler esta camada

Nesta camada, a pergunta deixa de ser apenas onde estão as escolas. Passa a ser: em que território estão, como são mantidas e qual é o caminho dos recursos públicos destinados a elas?

A investigação será feita em três planos — União, Estado e município — procurando acompanhar o dinheiro desde sua origem até a execução, porque não basta conhecer uma dotação orçamentária. A pesquisa busca distinguir com razoável acuidade o que foi destinado, empenhado, liquidado, pago. também quando houver dados disponíveis, efetivamente transferido ou aplicado pela unidade escolar.

Mas a escola não vive apenas de localização.

O primeiro rastro: o dinheiro federal

O FNDE mantém o PDDE Info, que permite consultar recursos por escola, município, UF, rede de ensino, programa e destinação. A base apresenta, entre outros campos, valores de custeio, capital, total e data da ordem de pagamento.A partir disso a IE.Br busca elaborar questões concretas.

Quanto dinheiro federal chegou a cada escola paulista, para qual finalidade e em que momento?

Os dados mostram, inclusive, que duas escolas podem receber valores e combinações diferentes de custeio e capital dentro de um mesmo programa. Em registros de 2024 aparecem, por exemplo, recursos destinados à Educação Conectada, ao PDDE Básico e à Escola das Adolescências, com valores e situações de pagamento distintos.

A partir daí, o trabalho da IE.Br será construir a mesma leitura para os municípios paulistas, evitando transformar um caso individual em retrato de todo o Estado.

O segundo rastro: o dinheiro estadual

Tabela curta para acompanhar o gráfico
FDE — 2024Valor
Dotação inicialR$ 470,099 mi
Créditos suplementaresR$ 542,275 mi
Dotação finalR$ 1,012 bi
EmpenhadoR$ 1,005 bi
LiquidadoR$ 877,263 mi
Pago no exercícioR$ 765,157 mi
Restos a pagar pagosR$ 634,822 mi

Fonte: Relatório de Atividades FDE 2024.

Aqui surge uma cifra que exige investigação.

Segundo o Relatório de Atividades FDE 2024, a Lei Orçamentária Anual fixou inicialmente para a Fundação para o Desenvolvimento da Educação R$ 470,099 milhões. Durante o exercício, foram registrados R$ 542,275 milhões em créditos suplementares, elevando a dotação para R$ 1,012374 bilhão.

A primeira pergunta da IE.Br será :

De onde vieram os R$ 542,275 milhões, por quais atos foram suplementados e para quais ações e despesas foram destinados?

A segunda:

Quanto desse acréscimo chegou efetivamente às escolas — direta ou indiretamente?

E a terceira:

Quanto permaneceu como saldo, quanto foi empenhado, quanto foi liquidado e quanto foi efetivamente pago?

O relatório registra R$ 1,005 bilhão empenhados, R$ 877,263 milhões liquidados e R$ 765,157 milhões pagos no orçamento do exercício. Registra ainda R$ 634,822 milhões pagos referentes a restos a pagar.

É justamente essa diferença que a investigação pretende tornar visível.

O terceiro rastro: o município

No município, a conta fica mais complexa.

Uma escola municipal pode estar relacionada a recursos próprios da prefeitura, Fundeb, transferências federais, programas do FNDE, transferências estaduais e outras fontes. Somar todas essas cifras sem identificar sua origem poderia produzir dupla contagem.

Com isso em em mente, a matriz da IE.Br será: origem – instrumento – finalidade – beneficiário – valor – execução – aplicação – prestação de contas.

A unidade de observação será, sempre que os dados permitirem, a própria escola.

Uma escola, várias fontes

A IE.Br questiona inicialmente:

Quanto recurso público é mobilizado para que uma determinada escola funcione?

Entretanto, esta resposta exige cuidado. Não chamaremos automaticamente esse valor de “custo da escola”. Primeiro será necessário separar manutenção, obras, equipamentos, programas específicos, despesas centralizadas e demais componentes.

Depois poderemos calcular indicadores comparáveis, como: recurso identificado por escolarecurso identificado por alunoparticipação federal, estadual e municipalvalor destinado × valor pagosaldo e recursos pendentes de execução

A régua da accountability

O 2A.4 adotará uma régua simples composta dos itens relacionados aos recursos:
DESTINADO → EMPENHADO → LIQUIDADO → PAGO → RECEBIDO → APLICADO → PRESTADO CONTAS → VERIFICADO

Nem sempre todos os degraus estarão disponíveis para cada recurso. Quando não estiverem, a ausência será registrada como limitação da investigação. E há uma regra fundamental: diferença não é automaticamente desvio.

Um saldo não é automaticamente dinheiro perdido. Um empenho não é pagamento. Um pagamento não demonstra, sozinho, que o objeto foi executado. E uma inconsistência documental não constitui, por si só, prova de corrupção. O papel da inteligência educacional é reconstruir o caminho documental e mostrar onde ele pode ou não ser reconstruído.


A pergunta que fica para o próximo movimento

O primeiro número que chamou nossa atenção — os R$ 542,275 milhões em créditos suplementares da FDE em 2024 — será agora aberto.

E com ele seguiremos os rastros para entender Quem autorizou? De onde veio? Para onde foi? O que financiou? Quanto foi executado? Houve saldo? O que aconteceu com ele?

Não temos ainda todas as respostas. E é exatamente por isso que a investigação continua necessária.

A escola é o ponto de chegada – O dinheiro tem um caminho. A IE.Br vai percorrê-lo.