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RELATÓRIO Nº 2 — Educação em São Paulo

RELATÓRIO Nº 2 — Educação em São Paulo

ROTA DE LEITURA – Este relatório não pretende apenas apresentar números sobre a educação paulista. Seu objetivo é construir uma primeira cartografia de um sistema educacional de grande escala, observando suas dimensões, seus territórios, suas condições de permanência e os fatores que interferem na aprendizagem.

Para isso, o Relatório nº 2 – Educação em São Paulo – será desenvolvido em camadas.

CAMADA 1 — O TERRITÓRIO

A primeira camada apresenta a dimensão e a distribuição do sistema:

É o mapa inicial. Mostra onde está o sistema e qual é a sua dimensão.


CAMADA 2 — O SISTEMA POR DENTRO

A segunda camada procura compreender o funcionamento desse território.
Aqui entram os indicadores capazes de revelar diferenças, tendências e desigualdades:

É o momento em que o mapa deixa de mostrar apenas os lugares e começa a revelar as condições de funcionamento do sistema.


DA ESTATÍSTICA À CARTOGRAFIA

Um número isolado informa. Um conjunto de números começa a revelar uma tendência.

Mas uma política educacional precisa ir além da tendência: precisa compreender as condições que produzem determinado resultado.

Por isso, a IE.Br propõe, inicialmente, uma leitura em cinco movimentos:

O dado apresenta o fenômeno?
O contexto procura explicar onde e em que condições ele acontece?
O cruzamento relaciona a educação com outras dimensões da vida social?
A interpretação procura identificar padrões, desigualdades, avanços ou obstáculos?

A pergunta abre a investigação seguinte:
Esta é a lógica da cartografia educacional proposta pela IE.Br.


FREQUÊNCIA NÃO É APENAS PRESENÇA

O caminho até a escola também educa — ou pode impedir que a educação aconteça.

A frequência escolar não depende exclusivamente da vontade do estudante. Entre a casa e a escola existe um território.

Em municípios pequenos, áreas rurais e localidades dispersas, a escola de maior estrutura pode estar em outro núcleo urbano. Para chegar até ela, o estudante pode depender de transporte escolar, transporte público, estradas, horários compatíveis e condições mínimas de segurança.

O próprio Estado de São Paulo reconhece essa dimensão territorial por meio de políticas de transporte escolar voltadas ao acesso e à permanência dos estudantes.

O problema, portanto, não termina na matrícula. Vai muito além:

Casa → transporte → percurso → escola → permanência → aprendizagem

Cada elo dessa cadeia pode favorecer ou dificultar a frequência.

Por isso, uma política educacional orientada pela Inteligência Educacional Brasileira precisa cruzar os dados da Educação com informações de mobilidade, território, infraestrutura e proteção social.

A responsabilidade pela garantia do acesso não deve ser observada de maneira isolada. Estado e municípios possuem competências e mecanismos de cooperação que precisam ser analisados conjuntamente, especialmente em territórios rurais, municípios pequenos e regiões onde a oferta educacional está concentrada em determinados núcleos urbanos.

A pergunta, portanto, deixa de ser apenas:

Por que o estudante falta?

E passa a ser:

Que condições existem entre a casa e a escola para que ele consiga estar presente?

MAPA DA FREQUÊNCIA

Distância → Transporte → Percurso → Acesso → Presença → Participação → Aprendizagem

SEGUNDA CAMADA — O QUE PRECISAMOS MEDIR

Para compreender a frequência territorialmente, o Relatório nº 2 I.E.Br deverá cruzar, sempre que os dados oficiais permitirem:

A hipótese a ser investigada é simples:

A frequência escolar também é produzida pelas condições territoriais de acesso à escola.


ALIMENTAÇÃO TAMBÉM É EDUCAÇÃO

Da refeição à aprendizagem: alimentar o estudante para que ele possa permanecer, participar e aprender.

Se a frequência escolar começa no caminho entre a casa e a escola, a permanência também depende das condições encontradas dentro dela.

Entre essas condições, uma das mais fundamentais é a alimentação.

Uma escola que recebe crianças e jovens durante várias horas do dia precisa considerar que alimentar não é apenas fornecer comida.

É oferecer uma refeição adequada, segura, nutritiva, culturalmente reconhecível e suficientemente atraente para que o estudante queira e consiga consumi-la.

A alimentação escolar está relacionada ao crescimento, desenvolvimento, aprendizagem, rendimento escolar e formação de hábitos alimentares saudáveis.

Não basta alimentar. É preciso alimentar bem.

A qualidade de uma refeição escolar não pode ser avaliada somente pela quantidade servida.

A aparência, o aroma, a textura, o sabor, a temperatura, a variedade e a adequação cultural também interferem na aceitação da refeição.

Por isso, a política alimentar escolar precisa perguntar:

O estudante aceita a refeição?

Ele reconhece os alimentos?

A comida respeita a cultura alimentar de sua região?

Há variedade suficiente?

As necessidades alimentares específicas estão sendo consideradas?

Essas perguntas pertencem também à política educacional.

A escola de tempo integral amplia a responsabilidade

Quanto maior o período de permanência do estudante na escola, maior a necessidade de pensar alimentação, descanso, convivência, esporte, cultura, saúde e aprendizagem de maneira integrada.

Uma jornada ampliada não pode significar simplesmente mais horas dentro do prédio escolar.

Ela precisa significar melhores condições para aprender e desenvolver-se.

Alimentação e proteção social

Para estudantes que vivem em situação de vulnerabilidade social, a alimentação escolar pode assumir importância ainda maior.

Isso não significa transformar a escola em substituta da família ou da política de assistência social.

Significa reconhecer que educação, alimentação e proteção social se encontram na vida concreta do estudante.

Por isso, a escola precisa estar articulada às demais políticas públicas.

Educação + alimentação + saúde + assistência social + proteção

não são sistemas independentes quando o objetivo é garantir o desenvolvimento integral.

O profissional que conhece a alimentação

Nesse sistema, o nutricionista possui papel estrutural.

O planejamento dos cardápios, a avaliação nutricional, a identificação de necessidades específicas, os testes de aceitabilidade e a educação alimentar e nutricional exigem conhecimento profissional especializado.

A questão da alimentação escolar, portanto, não deve ser reduzida ao custo da refeição.

A pergunta da Inteligência Educacional Brasileira é mais ampla:

Que qualidade nutricional, cultural, sensorial e educativa estamos entregando ao estudante?

MAPA DA PERMANÊNCIA

Chegar → Ser acolhido → Alimentar-se → Sentir-se protegido → Participar → Aprender → Desenvolver-se

SEGUNDA CAMADA — O QUE PRECISAMOS MEDIR


INCLUSÃO

Da matrícula à participação: o desafio de uma escola sem barreiras

A inclusão educacional não pode ser medida apenas pelo número de estudantes matriculados.
A matrícula é o início.
Depois dela vêm outras perguntas:

O estudante consegue chegar?

Consegue entrar?

Consegue circular?

Consegue comunicar-se?

Consegue participar?

Consegue aprender?

Consegue desenvolver autonomia?

Uma política de Educação Especial inclusiva precisa observar não apenas as características individuais do estudante, mas também as barreiras existentes no ambiente escolar.

Essas barreiras podem ser arquitetônicas, comunicacionais, pedagógicas, tecnológicas ou atitudinais.

Por isso, a cartografia da inclusão IE.Br precisa mudar a pergunta.

Não basta saber:

Quantos estudantes precisam de atendimento especializado?

É necessário investigar:

Quais barreiras impedem esses estudantes de participar plenamente da escola?

MAPA DA INCLUSÃO

Acesso → Permanência → Participação → Aprendizagem → Autonomia

SEGUNDA CAMADA — O QUE PRECISAMOS MEDIR


UMA REDE QUE PRECISA SER LIDA COMO SISTEMA

Frequência, alimentação e inclusão não são assuntos separados.

Um estudante pode ter matrícula garantida e, ainda assim, encontrar barreiras para chegar à escola.

Pode chegar e não conseguir permanecer.

Pode permanecer e não encontrar condições adequadas para participar.

Pode participar e ainda não dispor dos recursos necessários para aprender.

É por isso que a Inteligência Educacional Brasileira precisa observar a sequência completa:

ACESSO

PERMANÊNCIA

PARTICIPAÇÃO

APRENDIZAGEM

DESENVOLVIMENTO

O desafio não é apenas aumentar números.

É compreender o que acontece entre um número e outro.


PERGUNTAS ABERTAS DA CARTOGRAFIA

Ao final desta etapa, o Relatório nº 2 deixa algumas perguntas para pesquisadores, professores, gestores, estudantes e comunidades:

A distância até a escola interfere na frequência?

Quais municípios dependem mais do transporte escolar?

A alimentação oferecida acompanha o tempo de permanência do estudante?

Quais barreiras ainda limitam a inclusão?

Onde estão concentrados os melhores resultados de aprendizagem?

O que explica essas diferenças?

Como as universidades públicas podem participar mais diretamente da qualificação da Educação Básica?

Essas perguntas não encerram o relatório.

Elas abrem a próxima coordenada.


PRINCÍPIO EDITORIAL

A IE.Br não pretende apenas contar a educação brasileira. Pretende compreender as condições que permitem que ela aconteça.

Cartografias da Inteligência Educacional Brasileira
Relatório nº 2 — Educação em São Paulo
Documento Vivo • Versão 1.0

Fontes oficiais utilizadas para este relatório

  • INEP/MEC — Censo Escolar: base nacional para escolas, matrículas e características da educação básica. O portal atualmente disponibiliza séries de 2026, 2025, 2024 e anos anteriores.
    Censo Escolar — INEP/MEC
  • Secretaria da Educação do Estado de São Paulo — Dados Abertos: fonte específica para a rede estadual paulista, inclusive quantidade de alunos por tipo de ensino.
    Dados Abertos da Educação de SP — alunos por tipo de ensino
  • Dados Abertos SP — Microdados de Matrícula: contém dados de matrícula da rede paulista de 2004 a 2024, com informações por série, idade, sexo, rendimento etc., já sem dados pessoais identificáveis.
    Microdados de Matrícula SP
  • SEDUC-SP/FDE — Localize Escola: permite consultar e exportar a relação das escolas por município, rede e tipo de ensino. É especialmente importante para chegarmos à distribuição territorial da rede.
    Localize Escola — SEDUC-SP/FDE
  • INEP — Censo da Educação Superior: para USP, UNESP, UNICAMP e o panorama da educação superior paulista. O Censo 2024 já possui tabelas de divulgação, sinopse, microdados e resumo técnico.
    Censo da Educação Superior — resultados 2024
  • INEP — Sinopses Estatísticas da Educação Superior por município: particularmente útil para cruzarmos a localização e dimensão territorial das instituições de ensino superior.
    Sinopses Estatísticas da Educação Superior — INEP


Tabelas com os dados oficiais divulgados pelas fontes da pesquisa:

IndicadorSão Paulo
Escolas da rede estadual≈ 5,3 mil
Estudantes matriculadosmais de 3 milhões
Ensino Fundamentalrede estadual
Ensino Médiorede estadual
EJArede estadual
Ensino Médio Técnicorede estadual

Fonte: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP), Quantidade de alunos por tipo de ensino da rede estadual; Dados Abertos SP. A base é mantida pela Secretaria da Educação e teve atualização registrada em 2026. A própria SEDUC-SP informou, para o ano letivo de 2024, mais de 3 milhões de estudantes em cerca de 5.300 escolas da rede estadual.

Tabela 2 — Estrutura da oferta educacional estadual

Etapa / modalidadePresença na rede estadual
Ensino Fundamental — Anos IniciaisSim
Ensino Fundamental — Anos FinaisSim
Ensino MédioSim
Educação de Jovens e Adultos — EJASim
Educação Profissional / Ensino Médio TécnicoSim
Educação EspecialSim

Fonte: SEDUC-SP; INEP/MEC — Censo Escolar da Educação Básica. O Censo reúne informações sobre educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, educação especial, EJA e educação profissional.

Tabela 3 — A rede estadual no território paulista

DimensãoInformação
EstadoSão Paulo
Municípios645
Rede estadualPresente em ampla parcela do território
Escolas estaduais≈ 5.300
Base territorial para análiseMunicípio / escola
Fonte territorialLocalize Escola — SEDUC-SP/FDE

Fonte: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo — Localize Escola; INEP — Censo Escolar. Para a análise territorial definitiva, a base deve ser cruzada por município e estabelecimento, evitando simplesmente dividir o número estadual pelo número de municípios.


Tabela 4 — Educação Superior pública paulista

InstituiçãoNaturezaPapel no sistema paulista
USP — Universidade de São PauloPública estadualEnsino, pesquisa e extensão
UNESP — Universidade Estadual PaulistaPública estadualRede multicampi
UNICAMP — Universidade Estadual de CampinasPública estadualForte concentração em pesquisa e inovação

Fonte: INEP/MEC — Censo da Educação Superior 2024, microdados, sinopse estatística e tabelas de divulgação. O INEP disponibiliza essas bases oficialmente, inclusive dados por município.


Tabela 5 — Fontes estatísticas utilizadas no Relatório 2

FonteO que sustenta no relatório
INEP/MEC — Censo Escolarescolas, matrículas, etapas, modalidades e redes
SEDUC-SP — Dados Abertosdados específicos da rede estadual paulista
SEDUC-SP/FDE — Localize Escoladistribuição territorial das escolas
INEP/MEC — Censo da Educação Superiorinstituições, cursos, estudantes e docentes
INEP — Sinopses por Municípiodistribuição territorial do ensino superior

Fontes oficiais: Censo Escolar — INEP/MEC · Resultados do Censo Escolar · Dados Abertos — SEDUC-SP · Censo da Educação Superior — INEP · Sinopses da Educação Superior por Município