Pesquisa de iniciação científica do Departamento de Nutrição da UFPR joga luz sobre a relação entre fatores sociodemográficos e a alimentação de pessoas grávidas.
Redação
Curitiba, PR – 19/10/2026
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A idade, a renda e a escolaridade da gestante são fatores de vulnerabilidade para a alimentação durante a gravidez, sugere um estudo realizado por um projeto de iniciação científica do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR) especializado em gravidez e puerpério (o período de “resguardo” depois do parto).
Ao explorar dados de pré-natal pelo SUS de Colombo, na Grande Curitiba, a pesquisa joga luz sobre a relação entre fatores sociodemográficos e a alimentação de pessoas grávidas. Fazer refeições com telas ao lado e comer poucas verduras e legumes são alguns dos obstáculos nutricionais.
Com base em dados das gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, as pesquisadoras levantaram indicativos de que, enquanto a renda prejudica o acesso a frutas e verduras, a baixa idade da grávida a torna mais propensa a exagerar no consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura (bebidas açucaradas e ultraprocessados principalmente). Ou seja, há risco para a mãe a para o bebê.
Ciência, Pesquisa e Saúde
A pesquisa, que será apresentada na 17ª edição da Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR (Siepe), pela estudante Natália Albano Laureano sob coordenação da professora Doroteia Höfelmann, tem o intuito de estudar como essas condições sociodemográficas influenciam a alimentação e a qualidade de vida de gestantes e seus filhos.
A escolha por Colombo tem relação com os dados disponíveis pelo SUS e pela abrangência do cuidado à população. A cidade tem alta taxa de urbanização (mais de 95%) e, dos cerca de 232 mil habitantes, em torno de 194 mil dependem exclusivamente do SUS.
Os dados também indicam, por exemplo, que quase oito de cada dez gestantes adolescentes (de 14 a 19 anos) e das mães de primeira viagem (chamadas primigestas) fazem as refeições enquanto observam telas. O principal impacto desse hábito, segundo nutricionistas, é o atraso da percepção de saciedade.
Dessa forma, o estudo reafirma a ciência que estabelece que baixa renda, escolaridade e faixa etária estão diretamente relacionadas a um perfil alimentar menos saudável em gestantes.
“A gente também tem essa perspectiva de avaliar o que influencia além da alimentação. Porém, na verdade, as condições que a pessoa tem de renda, o local que ela mora, esses fatores como um todo, eles influenciam as possibilidades que as pessoas têm de poderem acessar determinados alimentos”, disse à Ciência UFPR.
“É importante pensar também no apoio social que essas mulheres têm de cuidado, para que elas possam também melhorar o consumo alimentar delas.”




















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