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Da anatomia da população escolar à travessia entre etapas: matrículas, redes, território e oportunidades educacionais

caderno-rel2-3-1024x498 IE.Br - Relatório nº 2A.3 - Quem estuda em SP?

1. Apresentação — O número da matrícula é igual. A travessia não.

São Paulo reúne a maior rede educacional estadual do país, uma extensa rede municipal, instituições privadas de diferentes perfis e uma estrutura federal de atendimento. Essa dimensão, entretanto, não basta para explicar como a educação chega aos estudantes. O volume de matrículas revela o tamanho do sistema, entretanto a sua distribuição mostra como ele se organiza e os indicadores de trajetória e aprendizagem ajudam a avaliar o que essa estrutura efetivamente proporciona.

O Relatório IE.Br nº 2A.3 examina a anatomia da população escolar paulista e estabelece a base estatística para as etapas seguintes da investigação. O objetivo não consiste em produzir um ranking de escolas ou redes, mas em compreender as relações entre população atendida, organização administrativa, território, oferta educacional e oportunidades de aprendizagem.

A unidade de análise exige cuidado. O Censo Escolar registra matrículas e características dos estabelecimentos, estudantes, turmas e profissionais. Uma mesma pessoa pode manter mais de uma matrícula, conforme a etapa ou a modalidade frequentada. Por isso, o total de matrículas não equivale automaticamente ao número de indivíduos únicos.

Passo a passo no paço.

Também precisamos separar três dimensões: acesso à escola, continuidade dos estudos e aprendizagem. A presença de uma vaga não garante que o estudante consiga frequentar as aulas regularmente; a permanência não assegura, por si só, a conclusão da etapa; e a conclusão tampouco comprova que todos tenham desenvolvido as competências esperadas.

2. O tamanho do sistema paulista

O panorama estadual publicado no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, com dados de 2025, registra 9.600.318 matrículas na educação básica paulista. O indicador reúne redes públicas e privadas e constitui uma referência para dimensionar o atendimento educacional do estado.

Esse contingente não deve ser confundido com a população total em idade escolar nem com a quantidade de estudantes únicos. Para medir a cobertura educacional, precisamos relacionar os registros escolares à população residente nas faixas etárias correspondentes.

Para medir a trajetória, precisamos acompanhar os indicadores de frequência, aprovação, reprovação, abandono, conclusão e aprendizagem.

O retrato também deve considerar as diferenças entre as etapas. A educação infantil atende crianças em um momento decisivo do desenvolvimento; o ensino fundamental organiza a formação básica ao longo de nove anos. Complementarmente, o ensino médio representa uma etapa crítica para a conclusão da educação básica e para as escolhas posteriores de formação e trabalho.

A educação de jovens e adultos e a educação profissional, por sua vez, atendem trajetórias que não seguem necessariamente o percurso escolar regular.

O tamanho do sistema, portanto, é apenas o primeiro número de uma investigação mais ampla.

Tabela 1 — Dimensão geral da educação básica paulista, 2025
IndicadorResultado
Matrículas na educação básica9.600.318
Participação no conjunto nacionalAproximadamente 20,9%
Municípios do estado645
Redes administrativas consideradasFederal, estadual, municipal e privada

Fonte: Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, panorama de São Paulo; Inep, Censo Escolar 2025. A participação nacional resulta da divisão das 9.600.318 matrículas paulistas pelo total nacional de 46.018.380 matrículas.

3. A distribuição das matrículas entre as redes

O número agregado não mostra quem responde pela oferta educacional. Para compreender a estrutura paulista, é necessário distinguir a participação das redes federal, estadual, municipal e privada.

Segundo o panorama estadual do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, a distribuição percentual das matrículas em 2025 foi a seguinte:

Tabela 2 — Participação das redes de ensino nas matrículas paulistas, 2025
Rede de ensinoParticipação
Federal0,2%
Estadual34,0%
Municipal39,4%
Privada26,4%
Total100,0%

Fonte: Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, panorama de São Paulo; dados do Censo Escolar 2025.

A rede municipal concentra a maior parcela das matrículas, seguida pela estadual e pela privada. A participação federal é pequena no conjunto da educação básica, embora sua atuação em determinadas modalidades e localidades possa ter importância específica.

Para facilitar a leitura, o gráfico a seguir apresenta a mesma distribuição em barras. Cada bloco representa aproximadamente dois pontos percentuais.

Gráfico 1 — Participação das redes nas matrículas paulistas
Municipal  39,4% | ████████████████████
Estadual   34,0% | █████████████████
Privada    26,4% | █████████████
Federal     0,2% | ▏

Nota: representação proporcional aproximada; os percentuais da tabela são a referência numérica.

A distribuição exige uma interpretação que vá além da participação percentual. Cada rede atua sob responsabilidades, condições de financiamento e arranjos administrativos próprios. A rede municipal tem papel decisivo na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, enquanto a rede estadual possui responsabilidade central na oferta do ensino médio e participação relevante nos anos finais do ensino fundamental. A divisão concreta, contudo, varia entre municípios.

A presença da rede privada acrescenta outra dimensão à análise. Sua participação não permite concluir, isoladamente, que a oferta pública seja insuficiente ou que a privada apresente melhores resultados. Para avaliar essas hipóteses, será necessário comparar etapas, perfil socioeconômico, condições de infraestrutura, composição do corpo docente e indicadores de aprendizagem.

A pergunta relevante não é apenas qual rede atende mais estudantes. Precisamos investigar como cada uma distribui seus recursos, organiza o atendimento e responde às necessidades da população que recebe.

4. Evolução das matrículas: volume não é sinônimo de progresso

Uma série histórica permite identificar expansão, retração e mudanças na composição da oferta. No Brasil, o Censo Escolar registrou a seguinte evolução do total de matrículas na educação básica entre 2021 e 2025.

Tabela 3 — Matrículas na educação básica brasileira, 2021–2025
AnoTotal de matrículasVariação anual
202146.668.401—
202247.382.074+1,53%
202347.304.632−0,16%
202447.088.922−0,46%
202546.018.380−2,27%

Fonte: Inep, Censo Escolar da Educação Básica 2025, Notas Estatísticas. As variações anuais foram calculadas a partir dos totais publicados.

Entre 2021 e 2025, o total nacional caiu 650.021 matrículas, aproximadamente 1,39%. A redução mais acentuada ocorreu entre 2024 e 2025, quando o sistema registrou 1.070.542 matrículas a menos, queda de cerca de 2,27%.

A mudança não autoriza uma conclusão automática sobre perda de acesso. O volume de matrículas também responde a transformações demográficas, alterações na oferta, mudanças de declaração e composição das redes. A análise precisa considerar a população em idade escolar, a cobertura por faixa etária e as diferenças entre as etapas.

O Inep informa, ainda, que a rede pública brasileira passou de 37.571.090 matrículas em 2024 para 36.772.996 em 2025, redução de aproximadamente 2,13%. Na rede privada, o total caiu de 9.517.832 para 9.245.384, recuo próximo de 2,86%.

Gráfico 2 — Evolução das matrículas na educação básica brasileira
2021  46,67 milhões | ████████████████████
2022  47,38 milhões | ████████████████████
2023  47,30 milhões | ████████████████████
2024  47,09 milhões | ████████████████████
2025  46,02 milhões | ███████████████████

Nota: as barras usam escala visual aproximada; os valores exatos estão na tabela.

Limite metodológico: esta série descreve o Brasil, não o estado de São Paulo. A série estadual de 2021 a 2025 deve ser extraída da mesma base e segundo os mesmos critérios antes de qualquer comparação. Não se deve substituir a evolução paulista pela tendência nacional.

Para a investigação IE.Br, a próxima etapa buscará uma resposta a seguinte questão: a eventual redução das matrículas em São Paulo acompanha a dinâmica demográfica ou se concentra em etapas, municípios e redes específicos? A resposta exige cruzar os registros escolares com as estimativas populacionais e os indicadores de cobertura.

5. O território educacional: 645 municípios, realidades distintas

Por sua vez, a capital possui escala e complexidade próprias. Sua rede municipal, a rede estadual presente em seu território, as instituições privadas e a oferta federal precisam ser observadas em conjunto, sem confundir os registros do município de São Paulo com os resultados do restante do estado.

O mesmo cuidado vale para os demais municípios. Cidades metropolitanas, em processos de conurbação e centros regionais, municípios industriais, áreas rurais e localidades menores enfrentam necessidades distintas. A distância até uma escola, a disponibilidade de transporte, a oferta de educação infantil, a presença de ensino médio e a existência de cursos profissionais podem alterar as oportunidades reais dos estudantes.

Tabela 4 — Matriz territorial para a investigação IE.Br
Unidade de análiseO que medirQuestão de investigação
Estado de São PauloMatrículas, escolas, docentes e distribuição por redeQual é a dimensão geral da oferta?
Regiões administrativasMatrículas, etapas, cobertura e infraestruturaComo a oferta se distribui pelo território?
MunicípiosMatrículas, população escolar e redes responsáveisQuais necessidades locais permanecem descobertas?
Capital paulistaRedes, distritos, etapas e oferta territorialComo a escala urbana afeta o acesso?
Escolas e unidades de atendimentoTurmas, docentes, infraestrutura e serviçosQuais condições o estudante encontra?

Fonte: esta é a estrutura analítica proposta pelo IE.Br, a ser preenchida com dados oficiais do Inep, IBGE e das secretarias de educação.

A tabela constitui uma matriz de investigação, não um conjunto de resultados já apurados. Ela orienta a extração e a comparação dos dados municipais e regionais. Não atribui números a territórios sem conferência documental.

Gráfico 3 — A escala territorial da investigação

Estado de São Paulo — 645 municípios

1. Capital paulista

  • Rede municipal;
  • Rede estadual;
  • Rede privada;
  • Oferta federal.

2. Demais 644 municípios

  • Redes municipais;
  • Rede estadual;
  • Rede privada;
  • Oferta federal.

Fonte: IE.Br — organização metodológica da investigação sobre a educação no Estado de São Paulo.

Legenda explicativa – A investigação da Inteligência Educacional Brasileira (IE.Br) organiza o território paulista em dois recortes: a capital, examinada separadamente, e os demais 644 municípios. Em ambos, identifica as diferentes esferas administrativas responsáveis pela oferta educacional. Essa divisão permite comparar a organização das redes de ensino, a distribuição dos estabelecimentos, o atendimento aos estudantes e as desigualdades territoriais. O objetivo consiste em compreender não apenas onde estão as escolas e quem oferece o ensino, mas também como os recursos públicos e privados chegam ao estudante e quais resultados produzem.

A capital deve aparecer separadamente na investigação por sua escala, mas também precisa permanecer integrada ao total estadual. Essa separação analítica evita que os números da maior concentração urbana ocultem as diferenças entre os demais municípios.

O objetivo seguinte será organizar a base territorial por regiões administrativas, relacioná-la às regiões educacionais e, em seguida, examinar os municípios. Essa sequência permite identificar padrões sem perder a possibilidade de descer até a unidade escolar.

6. A travessia entre etapas: onde a trajetória pode perder continuidade

A educação básica não funciona como uma sequência automática de matrículas. Cada mudança de etapa exige condições de adaptação pedagógica, continuidade curricular, acolhimento e acompanhamento. A passagem dos anos iniciais para os anos finais do ensino fundamental merece atenção especial porque modifica a organização do ensino, amplia a quantidade de professores e disciplinas e exige maior autonomia dos estudantes. Portanto, a transição nesta e noutras etapas deve ser considerada espaço de atenção.

A transição para o ensino médio acrescenta outras exigências. O estudante enfrenta novas expectativas de aprendizagem e, em muitos casos, precisa conciliar a escola com trabalho, deslocamentos, responsabilidades familiares e escolhas profissionais.

Essas condições não afetam todos da mesma maneira. A renda familiar, a infraestrutura local, a disponibilidade de transporte, o acesso a tecnologias, as necessidades educacionais específicas e o apoio oferecido pela escola podem influenciar a continuidade dos estudos.

Por isso, o relatório estabelece uma distinção fundamental: o total de matrículas em uma etapa não permite calcular, isoladamente, quantos estudantes chegaram à etapa seguinte. Para medir essa travessia, precisamos acompanhar as taxas de transição, aprovação, reprovação, abandono e distorção idade-série, além da conclusão.

O questionamento fundamental permanece: o número da matrícula é igual, mas a travessia não.

Tabela 5 — Indicadores necessários para medir a trajetória escolar
DimensãoIndicadorO que permite observar
AcessoTaxa de atendimento escolarSe a população da faixa etária frequenta a escola
FrequênciaFrequência e participação escolarSe o estudante acompanha regularmente as atividades
PermanênciaAbandono e continuidadeSe a trajetória sofre interrupções
ProgressãoAprovação, reprovação e transiçãoComo o estudante avança entre anos e etapas
RegularidadeDistorção idade-sérieSe há defasagem entre idade e ano cursado
ConclusãoConclusão de etapa na idade esperadaSe o percurso se completa no tempo previsto
AprendizagemResultados do Saeb e indicadores associadosQuais competências os estudantes demonstram
InclusãoMatrículas, acessibilidade e atendimento educacional especializadoQuais condições apoiam a participação dos estudantes com deficiência

Fonte: estrutura analítica IE.Br, com base nas dimensões utilizadas pelo Inep nos indicadores educacionais.

A tabela define o conjunto mínimo de indicadores para o acompanhamento da trajetória. Não apresenta taxas estaduais ainda não extraídas e conferidas. O IE.Br deverá apurar cada indicador por etapa, rede e território, evitando comparar grandezas que usam denominadores ou períodos distintos.

7. O que o Ideb 2025 acrescenta à leitura de São Paulo

Os resultados oficiais do Ideb de 2025 acrescentam uma dimensão essencial ao retrato das matrículas: a combinação entre desempenho no Saeb e taxas de aprovação. Segundo o Inep, São Paulo registrou melhora nos três grandes segmentos da educação básica em relação a 2023.

Tabela 6 — Ideb de São Paulo, 2023 e 2025
Etapa20232025Variação
Ensino fundamental — anos iniciais6,56,6+0,1
Ensino fundamental — anos finais5,45,5+0,1
Ensino médio4,54,7+0,2

Fonte: Inep, divulgação oficial do Ideb 2025, publicada em 6 de agosto de 2026.

Na rede pública paulista, os resultados também avançaram: os anos iniciais passaram de 6,2 para 6,5; os anos finais, de 5,1 para 5,2; e o ensino médio, de 4,2 para 4,3.

São resultados elevantes, mas exigem interpretação cuidadosa. O Ideb combina desempenho e aprovação; portanto, não substitui a análise separada das proficiências, das taxas de fluxo escolar e das desigualdades entre grupos de estudantes. Assim, uma média estadual pode melhorar enquanto determinadas escolas, regiões ou populações permanecem em situação desfavorável.

Tabela — Evolução das médias de proficiência no Saeb 2023–2025 — São Paulo
Etapa de ensinoÁrea de conhecimento20232025Variação
5º ano EFLíngua Portuguesa222,53226,18+3,65
5º ano EFMatemática236,09241,90+5,81
9º ano EFLíngua Portuguesa266,84268,42+1,58
9º ano EFMatemática265,35269,03+3,68
3º ano EMLíngua Portuguesa282,89286,37+3,48
3º ano EMMatemática275,51281,96+6,45

Leitura dos resultados – As seis médias registraram crescimento entre 2023 e 2025. O maior avanço ocorreu em Matemática no 3º ano do ensino médio, com 6,45 pontos, seguido pelo 5º ano do ensino fundamental, também em Matemática, com 5,81 pontos. No 9º ano, Língua Portuguesa apresentou a menor variação: 1,58 ponto.

Fonte: Saeb 2023 e Saeb 2025. Elaboração: IE.Br. Variação calculada pela diferença entre as médias de 2025 e 2023. EF = Ensino Fundamental; EM = Ensino Médio.

Nota editorial: o crescimento das médias indica avanço na proficiência aferida, mas não demonstra, isoladamente, melhoria homogênea da aprendizagem. A análise precisa considerar também a distribuição dos resultados, as desigualdades entre redes e escolas e o percentual de estudantes em cada nível de desempenho.

A leitura correta: os indicadores apontam avanços agregados, mas não demonstram que todos os estudantes tenham progredido na mesma proporção. A investigação territorial deverá verificar como esses resultados se distribuem entre redes, municípios e grupos sociais.

Consideradas as seis combinações de etapa de ensino e área de conhecimento, São Paulo registrou crescimento médio de 4,11 pontos na escala de proficiência do Saeb entre 2023 e 2025. Em termos proporcionais, o avanço corresponde a aproximadamente 1,6% sobre as médias de 2023.

Uma ressalva metodológica: essa média reúne etapas e áreas distintas. Ela oferece uma síntese geral, mas não substitui a análise individual dos resultados.

8. Tempo integral, inclusão e condições de atendimento

O tempo que o estudante permanece na escola constitui outra dimensão importante. A jornada ampliada pode abrir espaço para aprofundamento curricular, atividades culturais, práticas esportivas, apoio pedagógico e convivência. Seus efeitos, porém, dependem da qualidade do trabalho realizado, da infraestrutura, da alimentação, da disponibilidade de profissionais e da organização do currículo.

O Inep registrou, em âmbito nacional, 10,1 milhões de matrículas em tempo integral na educação básica em 2025. Esse total não deve ser atribuído automaticamente a São Paulo. O indicador estadual precisa ser extraído da base específica e examinado por etapa e rede.

Também precisamos distinguir a jornada formal da experiência efetiva. O estudante pode permanecer mais tempo na escola sem receber apoio suficiente para superar dificuldades de aprendizagem. Da mesma forma, uma jornada mais curta não determina, isoladamente, baixa qualidade. O que importa é a combinação entre tempo, condições de oferta, trabalho pedagógico e resultados.

A inclusão exige atenção semelhante. O registro de matrículas da educação especial não informa, sozinho, se a escola dispõe de acessibilidade física, recursos pedagógicos, profissionais de apoio e atendimento educacional especializado adequado às necessidades dos estudantes.

A análise IE.Br deverá, portanto, relacionar jornada, inclusão, infraestrutura e aprendizagem. O estudante precisa permanecer no centro da investigação. Os indicadores administrativos devem ajudar a compreender suas condições concretas, não substituí-las.

9. Limites estatísticos e protocolo de validação

Este relatório adota uma regra de transparência: todo número publicado deve possuir fonte identificável, período de referência e definição compatível com a comparação proposta.

O total de matrículas paulistas e a distribuição percentual por rede foram retirados do panorama estadual do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, baseado no Censo Escolar 2025. Os dados nacionais da série 2021–2025 e os resultados do Ideb e do Saeb foram obtidos nas publicações do Inep.

Os cálculos de variação anual e de participação estadual no total brasileiro foram realizados a partir desses valores. Os gráficos reproduzem os mesmos números, com arredondamento apenas na representação visual.

A série histórica apresentada na Tabela 3 corresponde ao Brasil, não ao estado de São Paulo. A matriz territorial não representa resultados municipais já apurados. Essas distinções são necessárias para evitar que o leitor interprete uma referência nacional como se fosse uma estatística estadual ou que confunda uma proposta de investigação com um resultado empírico.

Antes de publicar tabelas adicionais sobre matrículas por etapa, evolução estadual, municípios, distorção idade-série, abandono, frequência, tempo integral ou educação especial, o IE.Br deverá conferir os arquivos correspondentes da Sinopse Estatística e dos microdados do Censo Escolar.

A extração deve empregar critérios consistentes de dependência administrativa, etapa, modalidade, localização e ano de referência.

A investigação também deverá evitar a soma indiscriminada de categorias que podem se sobrepor. Educação especial, por exemplo, não deve ser adicionada às etapas regulares como se constituísse necessariamente um grupo independente de matrículas. O mesmo cuidado se aplica a estudantes que frequentam mais de uma modalidade ou etapa.

10. Conclusão — Conhecer o sistema para chegar ao estudante

O retrato de 2025 confirma a dimensão da educação básica paulista: 9,6 milhões de matrículas distribuídas entre redes com responsabilidades e estruturas diferentes. A participação municipal, estadual, privada e federal mostra que o atendimento educacional depende de uma organização complexa, cuja compreensão exige mais do que totais agregados.

A análise nacional demonstra, ainda, que o volume de matrículas pode variar de um ano para outro. Essa variação não explica, por si só, se o sistema ampliou ou reduziu oportunidades. Para chegar a uma conclusão responsável, precisamos relacionar os registros escolares à demografia, à cobertura educacional e às condições de permanência.

Os resultados do Ideb e do Saeb de 2025 acrescentam evidências de avanço em São Paulo. Ainda assim, médias estaduais não substituem a observação das diferenças entre municípios, redes, escolas e estudantes.

O próximo passo consiste em aproximar a análise do território. A organização das informações por regiões administrativas, municípios e capital permitirá identificar onde a oferta se concentra, quais etapas demandam maior atenção e quais indicadores precisam ser examinados em profundidade. Depois, a investigação deverá relacionar essas condições à execução dos recursos públicos e aos benefícios efetivamente recebidos pelos estudantes.

O IE.Br não pretende medir a educação apenas pelo tamanho de seu orçamento, pela quantidade de escolas ou pelo número de matrículas. Esses indicadores são indispensáveis, mas representam partes de uma estrutura que só ganha sentido quando se observa o que acontece com quem estuda.

O que IE.Br define como a questão decisiva permanece sendo: onde estão as oportunidades educacionais, como se distribuem e quais condições permitem que cada estudante avance? Afinal, O número da matrícula é igual. A travessia não.

Referências e bases consultadas
  1. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Sinopse Estatística da Educação Básica 2025, atualizada em julho de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/sinopses-estatisticas/educacao-basica
  2. Inep. Microdados do Censo Escolar da Educação Básica 2025, atualizados em julho de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/microdados/censo-escolar
  3. Inep. Censo Escolar da Educação Básica 2025 — Notas Estatísticas. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/notas_estatisticas_censo_escolar_da_educacao_basica_2025.pdf
  4. Inep. Ideb avança em todas as etapas da educação básica em São Paulo. Publicado em 6 de agosto de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/ideb/ideb-avanca-em-todas-as-etapas-da-educacao-basica-em-sao-paulo
  5. Todos Pela Educação. Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 — Panorama dos estados, São Paulo. Disponível em: https://anuario.todospelaeducacao.org.br/2026/estados-sp.html