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Quem estuda em São Paulo? — da educação básica ao ensino superior – Fechamento analítico: acesso, aprendizagem e desigualdades educacionais

caderno-rel2-1024x498 IE.Br - RELATÓRIO Nº 2A.3 - Quem estuda em SP

AEscolaLegal — Revista dedicada à construção da Inteligência Educacional Brasileira

1. Matrícula não é resultado: o que os indicadores revelam

Conhecer a dimensão do sistema educacional paulista constitui o primeiro passo de uma investigação que precisa avançar até a experiência concreta dos estudantes. O número de matrículas, a distribuição das escolas e a quantidade de profissionais permitem dimensionar a oferta; os indicadores de aprendizagem, por sua vez, ajudam a examinar o que o sistema consegue produzir.

Essa distinção orienta o trabalho da Inteligência Educacional Brasileira (IE.Br). Uma rede pode ampliar o atendimento e, ainda assim, conviver com diferenças expressivas de aprendizagem entre etapas, territórios e grupos sociais. Da mesma maneira, a melhora de um indicador agregado não significa que todas as escolas tenham avançado no mesmo ritmo.

Os resultados de 2025 divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) permitem acrescentar uma dimensão importante à análise de São Paulo: a evolução do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática.

2. Tabela 1 — Evolução do Ideb em São Paulo, 2023–2025

Etapa de ensinoSão Paulo, 2023São Paulo, 2025Rede pública estadual, 2023Rede pública estadual, 2025
Ensino fundamental — anos iniciais6,56,66,26,5
Ensino fundamental — anos finais5,45,55,15,2
Ensino médio4,54,74,24,3

Fonte: Inep, resultados do Ideb 2025 para São Paulo, divulgados em 6 de agosto de 2026. Os valores correspondem aos indicadores publicados para o estado e para sua rede pública estadual.

grafico-1-Ideb-de-Sao-Paulo-2023-e-2025 IE.Br - RELATÓRIO Nº 2A.3 - Quem estuda em SP
3. Gráfico 1 — Ideb por etapa e dependência administrativa

O gráfico abaixo compara os resultados de 2023 e 2025. A escala do indicador vai de zero a dez.

EtapaSão Paulo 2023São Paulo 2025Rede estadual 2023Rede estadual 2025
Anos iniciais6,56,66,26,5
Anos finais5,45,55,15,2
Ensino médio4,54,74,24,3

Leitura analítica: os três níveis de ensino registraram avanços no período. Entretanto, o ensino médio permanece com o menor Ideb entre as etapas comparadas. Essa diferença recomenda atenção especial à transição entre o ensino fundamental e o médio, à permanência escolar e às condições de aprendizagem dos adolescentes.

O Ideb combina dados de aprovação escolar com resultados de desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Por isso, deve ser interpretado em conjunto com outros indicadores, e não como medida isolada de toda a qualidade educacional.

4. Tabela 2 — Desempenho no Saeb: língua portuguesa e matemática

Os resultados de 2025 também permitem acompanhar a evolução das médias de proficiência dos estudantes paulistas.

Etapa avaliadaDisciplina20232025Variação
5º ano do ensino fundamentalLíngua portuguesa222,53226,18+3,65
5º ano do ensino fundamentalMatemática236,09241,90+5,81
9º ano do ensino fundamentalLíngua portuguesa266,84268,42+1,58
9º ano do ensino fundamentalMatemática265,35269,03+3,68
3º ano do ensino médioLíngua portuguesa282,89286,37+3,48
3º ano do ensino médioMatemática275,51281,96+6,45

Fonte: Inep, resultados do Saeb 2025 para São Paulo, divulgados em agosto de 2026. Variações calculadas pela IE.Br a partir das médias publicadas.

5. Gráfico 2 — Variação da proficiência entre 2023 e 2025

A variação em pontos permite comparar a evolução de cada disciplina sem confundir a diferença entre as escalas de proficiência e a do Ideb.

Etapa e disciplinaVariação
5º ano — Língua portuguesa+3,65 pontos
5º ano — Matemática+5,81 pontos
9º ano — Língua portuguesa+1,58 ponto
9º ano — Matemática+3,68 pontos
3º ano do ensino médio — Língua portuguesa+3,48 pontos
3º ano do ensino médio — Matemática+6,45 pontos
grafico-2-Variacao-da-proficiencia-no-Saeb-2023–2025 IE.Br - RELATÓRIO Nº 2A.3 - Quem estuda em SP

Interpretação: a maior variação entre os seis resultados ocorreu em matemática no 3º ano do ensino médio, com acréscimo de 6,45 pontos. No 9º ano, a evolução em língua portuguesa foi menor que a observada nas demais combinações apresentadas. Esses resultados indicam diferenças de ritmo entre etapas e disciplinas, mas não demonstram, isoladamente, quais políticas produziram os avanços.

Para estabelecer relações causais, a investigação precisará examinar as condições de oferta, a formação dos profissionais, a infraestrutura escolar, a organização curricular e a distribuição dos recursos públicos.

6. O que os resultados permitem concluir — e o que ainda exigem investigar

Os indicadores confirmam uma evolução positiva do Ideb paulista entre 2023 e 2025. Também mostram avanços nas médias de proficiência em língua portuguesa e matemática. Contudo, a média estadual não descreve integralmente as condições de aprendizagem de cada município, escola ou grupo de estudantes.

O próximo passo consiste em cruzar esses resultados com a distribuição territorial das matrículas, a dependência administrativa das escolas, as condições de funcionamento e os recursos destinados à educação. Esse cruzamento permitirá investigar se os avanços alcançam de maneira semelhante as diferentes regiões e redes de ensino.

7. Nota metodológica e limites desta etapa
8. Conclusão — o estudante como medida do sistema

A dimensão de uma rede educacional informa quanto o poder público atende; a distribuição das oportunidades mostra quem consegue acessar cada etapa; os indicadores de aprendizagem ajudam a avaliar parte dos resultados alcançados. Nenhuma dessas dimensões, isoladamente, oferece uma explicação suficiente.

Para São Paulo, o desafio consiste em relacionar o volume de recursos e a estrutura administrativa com as condições efetivas de ensino e aprendizagem. A investigação deve seguir o percurso que liga orçamento, escola, profissional, estudante e resultado, sem presumir que o gasto realizado corresponda automaticamente a um benefício educacional.

O relatório seguinte aprofundará a distribuição territorial da oferta e a organização das redes de ensino, preparando o terreno para a investigação financeira: quanto o sistema recebe, como distribui os recursos, o que entrega e quais resultados consegue demonstrar.


A IE.Br adota um princípio essencial: publicar dados identificados por sua origem, seu período de referência e seu estágio de consolidação. Por isso, este relatório utiliza os resultados consolidados de 2025 como base para a análise da educação paulista, sem misturá-los com informações preliminares de 2026.

O Inep estabeleceu 23 de outubro de 2026 como prazo final para a retificação dos dados do Censo Escolar de 2026 e prevê divulgar os resultados definitivos em fevereiro de 2027. Até lá, eventuais alterações nas informações preliminares poderão modificar os números divulgados.

Essa cautela não representa uma lacuna no trabalho, mas uma escolha metodológica. A IE.Br prefere aguardar a consolidação das estatísticas a apresentar como definitivos números que ainda podem mudar.

A investigação não para enquanto os dados amadurecem. Prosseguimos com as informações oficiais já consolidadas, registramos os limites de cada etapa e reservamos as atualizações para o momento em que houver segurança estatística. Assim, preservamos a transparência do relatório e o direito do leitor de distinguir fatos confirmados, informações provisórias e análises em desenvolvimento.