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Dossiê Aprender a Votar – Economia.

O que pensar na hora do voto?
AEscolaLegal IE.Br Eleições

Ladislau Dowbor

A economia não é uma área de atividade, é uma dimensão de tudo o que fazemos: tem dimensão econômica o tempo que perdemos no transporte, a escola dos nossos filhos, a opção de lazer e tantas atividades. O que nos repetem, é que não devemos nos meter a entender a dimensão econômica do que fazemos,dizem que é “técnico”, e “complexo”.

Na realidade é apresentado assim para encobrir os absurdos. Na hora do voto, a opção, evidentemente, é entre esquerda e direita, entre o bem-estar da nação ou os privilégios das elites.

O ponto de partida neste caso é que o principal entrave ao desenvolvimento do país é a desigualdade. Os 300 bilionários apresentados pela publicação Forbes, caracterizam bem o que Jessé Souza chamou de “A Elite do Atraso”. Essas elites são essencialmente financeiras, exportadoras das riquezas do país, e expandem as suas fortunas de maneira acelerada.

Para entender o mecanismo, basta ver que um bilionário que compra títulos da dívida pública, mesmo aplicando apenas um bilhão, no fim do ano ganhou 137,5 milhões de reais (a taxa Selic paga 13,75%) sem precisar produzir nada, simplesmente se apropriando de parte dos nossos impostos.

A massa da população, os 80%, não tem o problema de pensar onde vai “investir” o dinheiro que sobra no fim do mês, pelo contrário, está em geral endividado. Ou seja, quanto mais você é rico, mas enriquece, e a desigualdade se aprofunda. E quanto mais pobre, mais se enrosca na dívida.

300 Bilionários se divertem com a pobreza do país

A opção central, na hora do voto, é saber se queremos enriquecer os mais ricos, votando na direita, ou melhorar a situação da massa da população, votando nos candidatos da esquerda. Em termos econômicos, os resultados são evidentes. A direita clama que dinheiro para os mais pobres vira consumo e some. E que mais dinheiro para eles levam a “investimentos” e a mais riqueza para o país. É rigorosamente falso.

Na realidade, mais dinheiro na mão da base da sociedade vira consumo sim, o que significa que as empresas têm para quem vender, e passam a produzir mais, gerando inclusive mais emprego. Isso porque o principal motor da economia é o consumo das famílias. Enquanto que mais dinheiro na mão dos mais ricos vira mais aplicação financeira, e enriquecimento improdutivo, em particular ao endividarem a população.

Hoje 29% do que as famílias ganham no Brasil são gastos para pagar juros, em vez de comprarem o que é necessário, enriquecendo a Faria Lima, bancos e especuladores. Essa a cara da direita. O problema não é o candidato, e sim as forças que o utilizam.

A política econômica dos governos Lula 1 e 2 foi redistributiva, melhorando o salário mínimo, assegurando o Luz Para Todos e dezenas de políticas que melhoraram a situação da população em geral. Isso não travou o crescimento, pelo contrário, a fase 2003 a 2013, chamado “a década dourada da economia brasileira” pelo Banco Mundial, permitiu um crescimento médio de 3,8%, bastante elevado, e o Brasil foi tirado do Mapa da Fome da ONU.

Esse ponto é central: dinheiro na base da sociedade tem efeito multiplicador, enquanto o dinheiro na mão dos grupos financeiros que dominam no Brasil gera um dreno. Você pode assistir, no Youtube, uma aula minha de 15 minutos sobre como esse dreno é organizado. Basta colocar “Entenda a economia em 15 minutos”. Cerca de 1,5 milhão de pessoas já viram, milhares vêm cada dia atualmente.

A propaganda é poderosa: dominam a mídia, as mídias sociais, têm muito dinheiro para invadir o seu celular com mentiras. A lógica econômica é muito simples: o dinheiro na base da sociedade é muito mais útil em termos sociais, porque permite que mais famílias possam cobrir as suas necessidades básicas. Inclusive das crianças, e muito mais útil em termos econômicos em geral, pois a ampliação do consumo na base da sociedade é que dinamiza o conjunto.

Para entender melhor o mecanismo assista, no Youtube, uma aula minha de 15 minutos sobre como esse dreno é organizado. Basta colocar “Entenda a economia em 15 minutos”. Cerca de 1,5 milhão de pessoas já viram, milhares vêm cada dia atualmente. Seja mais um esclarecido.


Sobre o autor – Ladislau Dowbor – Profº. Dr. Economia pela Un. Varsóvia/Polônia –
É Conselheiro da ONU – Professor da PUC/SP