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O lixo da economia capitalista não é reciclável

Para ser educado é preciso começar em casa a entender e perceber o quadro geral da família, da comunidade ou bairro, da cidade, do estado (unidade federal) e do país, e num cenário bem mais ampla como este país se situa no continente e no planeta. É uma questão política. O alienado, o desavisado, é o escravo, uma presa fácil para o maus intencionados. Obviamente, é antes de tudo um exercício de autopercepção: quem sou Eu, onde estou e os por quês – todos. Por que? E também, quem, quando, onde e como?…


O lixo da economia capitalista não é reciclável

UM PASSO À FRENTE 2 PARA TRÁS. DE NOVO? Não.
rico-e-pobre Ensino e Educação - Básico

Ou seja, aquele modelo em que, mais uma vez tiram-se os recursos da terra, joga tudo no fogo, derrete, dá uma forma bruta e básica e negocia com a burguesia, a aristocracia, e as oligarquias capitalistas dos países mais avançados. Os valores apurados ficam com os proprietários de terras que elegem seus políticos e famílias preferidos, a quem pagam 15% dos seus ganhos e uns presentes de fim de ano como uma sociedade numa das indústrias coligadas etc.

Passa o tempo, o país cresce, aumenta a população, a economia também, porém a riqueza não é dividida de forma igual. A burguesia, aristocracia, oligarquias capitalistas locais ficam com o grosso da produção econômica e financeira, que já é apenas uma pequena parte do que realmente vale. Equivale a um décimo (10%), digamos, do real valor do produto vendido. Deste pequeno montante apurado, um pouco menos de 1 décimo (0,07%) chega nas mãos do trabalhador.

Quando tudo pode piorar – O lixo da economia capitalista não é reciclável

Avança (ffw) o filme. Neste momento, a economia dá outro salto e chega um estágio mais desenvolvido. Bancos, indústrias de transformação secundárias com tecnologia embarcada, educação básica de qualquer calibre para a massa majoritária da população, um pouco de ciência voltada aos negócios.

Escolas superiores para os filhos dos burgueses endinheirados, escolas de direito, medicina, engenharia e bens supérfluos específicos para esta camada social.

Muita importação, aumento do consumo, carnaval, futebol, cachaça e sexo livre, colocando a mulher como objeto de prazer para quem pode pagar, tornando-as vítimas de exploração sexual (mercadoria) ou da violência machista e misógina.

Séculos depois, diversas modificações forçadas pelas lutas por direitos e melhorias trouxeram perspectivas mais alargadas e conseguiram disfarçar com uma certa cosmetologia social o sofrimento daqueles que só tinham o trabalho e sua força (física ou ‘intelectual’) para trocar por algumas moedas. Nem sempre suficientes para terem moradia digna, alimentação adequada, estudos consistentes, saúde e estrutura mínima para sentir-se parte importante na construção da riqueza do país. Era um escravo com uma roupa menos mal feita e sapatos.

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O posto de saúde, a escola dos filhos, o mercado de trabalho estavam há pelo menos umas 4 ou 5 horas de distância de onde morava.

O transporte era tão ruim quanto o carro de boi em estradas esburacadas, lamacentas ou com asfalto em ruínas uns meses depois de ter sido utilizado.

Chegar com os pés enlameados e ter os sapatos furados pelo uso não era o maior problema.

Para garantir a volta e a permanência no emprego uma garrafa de café era-lhe dada na entrada da fábrica ao início do expediente. Os cafeicultores mantinham a produção numa espécie de circuito fechado da economia, porque também eram os donos das indústrias.

Hoje, pode-se consumir cocaína no vale do Silício sem problemas. Os proprietários não se incomodam – querem produção, as forças armadas precisam dos sistemas e ao mesmo tempo, garantem o fornecimento.

Quando tudo parecia melhorar

Finalmente, o país deu um salto e passou para uma economia mista, industrial de serviços, mas continuou depredando a natureza. Reinaugurou a poluição dos rios, do ar, das praias, encheu os alimentos de veneno para aumentar a produção. Assim, os bancos e seus capatazes concentraram cada vez mais as riquezas que também foram parar nas mão dos burgueses, aristocratas, oligarcas capitalistas locais.

Enquanto isso, aquela massa majoritária ficava à mercê dos 1% da riqueza (em grande parte produzida por eles). De fato, apenas um aumento diluído pelo crescimento exponencial populacional e do consumo e da inflação que os segue de perto.

Com um posto de saúde mais perto, mas o hospital ainda ficava lá longe. A escolinha do filho lá no bairro vizinho quase não tinha vagas. E a universidade mais longe ainda, maltratada e ameaçada, quase todos resistiam e as esperanças estavam latentes, e foram renovadas.

O mercado da fé crescia e inundava a periferia, mas a polícia controlava o meio e uma pandemia atravessou o canal.

Esse período se deu quando vieram os capitães e seu filhos, a famiglia organizada, as milícias e seus novos sargentos. Vieram também os bispos e pastores com suas mansões, aviões e novinhas. E nos enviaram de volta ao primeiro parágrafo desta tragicômica comédia novela do horário nobre, logo depois do jornal da TV. Por sorte, a educação também revelou parte de sua importância e o esboço de retomada da esperança se desenhou. Parece que foi ontem… Antes da IA, dos robôs, da CIA e da casa esbranquiçada ameaçarem o futuro…

Tempos difíceis. E quando não o foi?