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Dívida Brasileira - Descontrole ou só argumento?

Dívida Brasileira – Descontrole ou só argumento?

Talvez as duas coisas procurem, irracionalmente, manter em alta a mega taxa de Juros. Mas fica a questão: a quem se paga esta dívida?

De fato, mercado financeiro e Banco Central têm afirmado com frequência e insistência que a dívida pública vem atingindo níveis elevadíssimos com risco eminente de descontrole. Para buscar um nível confiável de compreensão desta realidade é necessário entender quais os fatores objetivos que impactam o crescimento ou a sua redução.

O mais comum e de mais simples compreensão é a geração dos déficits públicos que impedem a formação de superavits fiscais necessários para frear o crescimento da dívida pelo lado das despesas.
Entretanto, no caso brasileiro existe outro fator que impacta profundamente a trajetória da dívida – A mega Taxa de Juros.

Se compararmos a Taxa de Juros /Selic praticada em nosso país, especialmente os juros reais – extremamente superiores a imensa maioria das taxas praticadas pela quase totalidade dos países – verificamos que tal discursos ancora-se numa situação anacrônica, inaceitável.

Justificando o injustificável – quem, como cria e quem controla o volume da dívida pública (crescimento – estabilidade – diminuição)?

As justificativas mais recorrentes para a manutenção desses juros exacerbados – inflação e risco de descontrole da dívida – não encontram sustentação, principalmente se comparamos a nossa dívida e a nossa inflação com as 20 maiores economias e os 20 maiores devedores.

Nesse quadro de taxas de juros supervalorizadas é importante e fundamental avaliar objetivamente o processo de realimentação e elevação da dívida pela incidência dessa mesma Taxa de Juros. Estima-se que cada ponto percentual da Taxa Selic gere um custo de cerca de R$ 70 Bilhões adicionados ao volume da dívida.

Considerando a possibilidade real e perfeitamente aceitável de se operar com uma Taxa de Juros real da ordem de 6% – 6.5% , que ainda é elevada em relação à média mundial – ao invés da elevadíssima Taxa de 9.5% – seria possível reduzir o custo da divida em cerca de 200/245 Bilhões de Reais/Ano.

Portanto, esta seria a mais expressiva contribuição para frear o crescimento da dívida ao lado de eventuais correções, como as demais despesas com Emendas Parlamentares – estimada em R$ 60 Bilhões -, a Previdência dos Militares e Juízes, Renúncias Fiscais etc.

O que conclui?

Portanto, a conclusão direta é que a maior parte do crescimento da dívida advém dos próprios juros elevados com a “justificativa” de que são necessários devido ao tamanho e ao crescimento da dívida gerados em grande parte por esses mesmos juros exacerbados. Dá para entender? A dívida cresce por conta dos juros, por isso ele deve-se manter alto o que aumenta a dívida. Explica isso aí bancos, credores e investidores no plano Brasil.


Lucio R. Azer Maluf – Sociólogo – Especialista em Gestão Econômica e Mercadológica – Dirigente do PDT/SP e Membro do Diretório Nacional

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